Cooperativas exploram diamantes (Angola)

16 Maio 2017
Author(s)
Carlos Paulino, Jornal de Angola
Fotografia: Edições Novembro
Fotografia: Edições Novembro

Um total de trinta cooperativas foram autorizadas pelo Governo do Cuando Cubango a exercerem a actividade de prospecção, exploração artesanal e semi-industrial de diamantes no município de Mavinga, a 400 quilómetros da cidade de Menongue, capital da província.

 

O director provincial da Indústria, Geologia e Minas disse que o Governo autorizou igualmente quatro empresas para exercerem o mesmo tipo de actividade no município do Cuchi.
Bento Xavier explicou que, neste momento, as 30 cooperativas de Mavinga estão na posse das respectivas cartas conforto, um documento que é homologado pelo governador da província e que lhes permite exercer os trabalhos de exploração, enquanto se aguarda pela versão final de toda a documentação junto do Ministério da Geologia e Minas.
O responsável disse que este mecanismo (criação de cooperativas) está ajudar a acelerar o combate à exploração ilegal de diamantes no município de Mavinga, onde, recentemente, uma operação policial desmantelou centenas de garimpeiros da República Democrática do Congo (RDC), que se dedicavam ao exercício da actividade sem qualquer autorização.
O director acrescentou que a Direcção Provincial da Indústria, Geologia e Minas foi orientada a partir do Ministério de tutela, a ceder os espaços às cooperativas devidamente legalizadas, como forma de contrapor o garimpo ilegal.  
Para ele, a criação de cooperativas traz grandes benefícios à província, no que à arrecadação de receitas diz respeito para a construção de escolas, postos de saúde, habitação social, entre outras infra-estruturas sociais, que vão melhorar as condições de vida das populações das localidades em que estiverem a trabalhar.
Bento Xavier destacou que outro ganho será o aumento das receitas para os cofres do Estado, criação de muitos postos de trabalho e o repovoamento dos municípios de Mavinga e do Cuchi.
Os resultados preliminares das pesquisas realizadas na província no quadro do Plano Nacional de Geologia (Planageo) são animadores, pois, “o Cuando Cubango possui grandes jazidas de Kimberlitos nas zonas de Mavinga e outros recursos minerais, como ouro, cobre, petróleo e ferro em diferentes pontos da província”, referiu.
O responsável lembrou que a grande aposta do Ministério da Geologia e Minas é fazer com que o sector mineiro seja alternativa do petróleo que trazia as divisas no país. Com base nos recursos minerais identificados na província, vão surgir grandes empresas multinacionais e internacionais para a sua exploração. “Nós precisamos de grandes empresas, que possam investir na província e, por este facto, é necessário estarmos abertos a qualquer iniciativa empresarial, seja nacional ou estrangeira que querem explorar os recursos minerais de modo a que o país possa voltar a ter divisas para a implementação de grandes projectos sociais”, disse. Bento Xavier ressaltou que, numa altura em que todos os angolanos estão a sentir os efeitos da crise económica, devido sobretudo à escassez de divisas no país, é necessário que as empresas nacionais criem parcerias com empresários estrangeiros, para que o dólar volte a entrar em grande quantidade em Angola.
Informações não confirmadas dão conta da existência de garimpo de exploração de ouro e cobre em alguns municípios da província do Cuando Cubango, algo que Bento Xavier promete investigar nos próximos dias, com vista a pôr fim a um fenómeno que acarreta muitas consequências para a economia do país e da província em particular.
Neste momento, o Ministério da Geologia e Minas já está a trabalhar na elaboração de um diploma para a criação de reservas de recursos minerais, para que possam ser explorados de forma racional e beneficiar também as próximas gerações.