Território de tribo isolada ameaçado por interesses económicos (Brasil)

Plataforma de apoio aos direitos dos povos indígenas denuncia a existência de movimentações políticas destinadas a reduzir a área da tribo Kawahiva, no estado do Mato Grosso, no Brasil. O objetivo é libertar terreno para os madeireiros e fazendeiros.

A Survival Internacional acusa um grupo de políticos da região de Colniza, no estado brasileiro do Mato Grosso, de estar a exercer pressão junto do governo federal para a redução «drástica» do território indígena Rio Pardo, para que os construtores de estradas, os madeireiros, fazendeiros e produtores de soja aí possam exercer as suas atividades. A área tem sido lar para os últimos elementos da tribo Kawahiva, uma das mais vulneráveis do planeta. 

«O Brasil deve respeitar os direitos de seus povos indígenas. As tribos isoladas, como os Kawahiva, claramente querem ser deixadas sozinhas para viverem como quiserem. Mas os líderes atuais do Brasil estão a reunir-se às escuras com políticos corruptos, e cedendo às pressões da bancada ruralista, claramente a fim de negar os indígenas isolados desse direito. Os riscos não poderiam ser mais altos: povos inteiros estão em risco de genocídio como resultado dessa abordagem cruel», afirma o diretor da Survival, Stephen Corry. 

Os Kawahiva são caçadores-coletores, que migram de acampamento em acampamento através da floresta do Rio Pardo. Dependem da floresta para sobreviver, mas a abertura de estradas, de fazendas e a exploração de madeira ameaçam expô-los à violência e a doenças, como a gripe e o sarampo, para as quais não têm resistência. 

Segundo Stephen Corry, o governo brasileiro está a tentar reverter décadas de progresso gradual no reconhecimento dos direitos dos povos indígenas no país. O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, recentemente disse: «Vamos parar com essa discussão sobre terras [indígenas]. Terra enche a barriga de alguém?» E o novo presidente da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), António Costa, disse: «Não vejo como índios… possam ficar parados no tempo».

 

18 Abril 2017
Author(s)
Fátima Missionária
Language of the news reported
Português