Manaus recebe Marcha da Resistência Indígena para cobrar direitos da população (Brasil)

21 Abril 2017
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Agência Brasil, Isto e Notícias

Indígenas de diversas etnias de 30 municípios amazonenses fizeram uma marcha hoje (19), em Manaus, para chamar a atenção para a preservação dos direitos dos povos indígenas. O ato faz parte da programação organizada pelo Fórum de Educação Escolar Indígena do Amazonas (Foreeia), em alusão ao Dia do Índio, celebrado hoje.

“Pra nós o dia 19 é muito importante. É um dia de resistência e de dizer que nós, povos indígenas do Amazonas, estamos aqui em defesa dos nossos direitos. Não é um dia de comemoração pra nós e sim de ir às ruas para dizer ao poder público que nós existimos”, afirmou a diretora-presidente da entidade, Clarisse Tukano.

Para Herton Mura, liderança do município de Careiro da Várzea, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que trata da demarcação das terras indígenas, é uma das principais ameaças aos direitos conquistados. A matéria aguarda votação no plenário da Câmara dos Deputados. “A gente teve muita garantia na Constituição de 1988. O Artigo 231 dá o direito à nossa terra. Essa PEC visa reformular esse Artigo 231 e tirar a competência do poder Executivo de demarcar as terras indígenas e passar para o poder Legislativo. Se isso acontecer, a gente tem a plena consciência de que nunca mais no Brasil haverá demarcação de terras indígenas porque hoje o Legislativo é composto por uma bancada ruralista favorável ao agronegócio que é declaradamente contra a demarcação das terras indígenas”, explicou.

Caminhada

A Marcha da Resistência Indígena do Amazonas, como foi chamada, começou por volta de 9h30 e, após uma hora de caminhada, fez uma parada na Assembleia Legislativa do estado. Um grupo de lideranças foi recebido por deputados e entregou uma carta de reivindicações. No início da tarde, os indígenas foram para a Universidade do Estado do Amazonas, onde apresentaram outro documento com pedidos relacionados à educação dos povos tradicionais. A marcha também vai passar pelo Distrito Sanitário Especial Indígena de Manaus para discutir a saúde indígena.

“A primeira preocupação e também propósito é fazer com que as instituições e a sociedade saibam o que está acontecendo porque, afinal de contas, de alguma maneira o sofrimento e a extinção dos povos indígenas é sim responsabilidade da sociedade como um todo, principalmente, das instituições. No caso das universidades e dirigentes de instituições, são pessoas tomadoras de decisões e formadoras de opiniões que podem ajudar então a preservar os direitos e a vida dos povos indígenas aqui do estado e do Brasil”, destacou o professor indígena Gersen Baniwa.

Na programação do Dia do Índio ainda está prevista a realização de uma noite cultural aberta ao público, no Espaço Kairós, no bairro União, onde os indígenas estão acampados. Amanhã (20), está marcada uma segunda caminhada que irá até às secretarias municipal e estadual de educação e à sede da Funai.