Foto: Fulgêncio Mendes Borges

Governo valida resultados do seguimento da segurança alimentar (Guiné)

O Governo, através do Ministério da Agricultura, Floresta e Pecuária, em parceria com a FAO, o PAM e a sociedade civil, validaram no dia 13 de março os resultados do Seguimento da Segurança Alimentar e Nutricional (SISSAN), efetuado em dezembro de 2016, apoiado pela União Europeia.

No ato da validação, o chefe do gabinete do ministro da Agricultura, Floresta e Pecuária considerou que este documento é muito importante, não só irá fornecer novos dados estatísticos como também permite uma nova reflexão sobre a problemática da segurança alimentar, assim como o grau de vulnerabilidade das populações do país.

De acordo com Hipólito Djata, o setor primário, constituído por agricultura, pecuária, exploração florestal e pescas, no seu conjunto, constitui a espinha dorsal da economia nacional.

“Isso representa 50 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), fornece 85 por cento de emprego e contribui com quase 93 por cento das exportações.”

Este técnico da agricultura afirmou que, até à data presente, a agricultura guineense assenta, essencialmente, numa agricultura de subsistência e é limitada pelo círculo vicioso, “fracos investimentos, fraca produtividade e fracos rendimentos”.

Hipólito Djata explicou que a Guiné-Bissau dispõe de um enorme potencial de terras aráveis (cerca de 1.410.000 hectares), de água e de um potencial técnico com conhecimento e experiência reconhecidos. Aos guineenses faltam recursos financeiros para investirem seriamente neste setor estratégico da economia nacional.

Djata explicou, ainda, que os investimentos na agricultura podem desempenhar um papel decisivo na introdução sustentável da segurança alimentar a longo prazo. De acordo com este técnico, a aplicação racional irá, seguramente, melhorar a contabilidade da produção nacional, aumentar os lucros dos agricultores e haverá comida para os mais carenciados.

“Por isso, esperamos que, com a aplicação de uma agricultura mecanizada em toda a cadeia da produção sustentável, na base de utilização de sementes de qualidade saídas da investigação agronómica e boa práticas de produção, possamos alcançar a segurança alimentar e minimizar os riscos associados a malnutrição,” explicou Hipólito Djata.

A representante do Programa Alimentar Mundial (PAM) afirmou que o seguimento da segurança nutricional é fundamental a todos os países do mundo, especialmente àqueles que sofrem deste problema e inabilidade de responder aos desastres naturais.

De acordo com Kiyome Kawaguche, com estes resultados apresentados e validados, mostra claramente que a situação do consumo alimentar melhorou a partir de setembro a dezembro de 2016.

Relativamente a agregados familiares rurais no país, esta responsável máxima do PAM na Guiné-Bissau afirmou que o consumo alimentar aceitável, passou de 72 a 79 por cento, ou seja, uma em cada cinco famílias não teve um consumo alimentar recomendável.

Disse, ainda, que o consumo registado em dezembro do ano passado mostra que 29 por cento dos agregados familiares rurais estavam em situação de insegurança alimentar e, neste caso, foi registada uma ligeira melhoria, isto é, 1,5% na taxa de segurança alimentar entre setembro e dezembro passado.

Kiyome Kawaguche explicou que os resultados demonstram que a zona mais preocupante com a situação de insegurança alimentar são as regiões de Oio, Cacheu e Tombali, que deverão merecer uma atenção especial de todos os agentes ligados a este problema.