Em encontro com o ministro do Meio Ambiente, lideranças alertam para desmatamentos em áreas limítrofes do parque, que estariam pondo em risco nascentes e rios



Líderes das principais etnias que vivem no Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso,

entregaram nesta quarta-feira, dia 15, um documento ao ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho,

em que manifestam preocupação com a expansão do agronegócio nas áreas limítrofes da reserva.



De acordo com informação publicada no site do ministério, os índios alertaram para ameaças aos

principais rios que cortam o parque, que têm as suas nascentes fora dos limites da área protegida,

em terras que estariam sendo desmatadas para o plantio de soja.



O cacique Aritana Yaualapiti disse ao ministro que os índios enfrentam momento de grande insegurança com a possibilidade de redução de suas terras. “O grande desmatamento já chegou aos limites do parque, e está interferindo em nossas vidas”, disse.



O chefe Kuiussi Mehinako afirmou que as etnias indígenas “estão sendo desrespeitadas com as

notícias que saem na mídia”, anunciando revisão de terras indígenas. “Vocês, como governo,

precisam nos proteger. Não fomos nós que nos aproximamos de vocês, e sim o homem branco

que chegou e agora está ameaçando as nossas terras e a nossa forma de viver”, afirmou o cacique.



Apoio



Sarney Filho reafirmou aos índios a sua posição contrária à redução das reservas e defendeu a

necessidade de “levar tranquilidade às populações que nelas vivem”. Ele lamentou as manobras no

Congresso Nacional de parlamentares ligados ao agronegócio. “Rever os limites das áreas

indígenas, em especial daquelas já consolidadas, representaria um crime de lesa pátria”, alertou.



O ministro ressaltou a importância da manutenção de unidades de conservação e de reservas

indígenas na Amazônia, para proteger populações tradicionais, e também para neutralizar os

efeitos do aquecimento global. “O Parque Indígena do Xingu, por exemplo, com a sua vegetação

preservada pelos índios, tem garantido chuvas, umidade e clima melhor em propriedades rurais já

desmatadas em Mato Grosso”, observou.



O cacique Melolô Txicão se queixou do aumento da temperatura no Xingu com o desmatamento

na região. “O clima está ficando mais quente, e isso começa a impedir que as plantas cresçam”,

alertou o cacique.



Ameças



No documento entregue ao ministro, os índios citam os rios que estão ameaçados com o

desmatamento, agrotóxico e assoreamento e que nascem fora dos limites do Parque Indígena do

Xingu: Sete de Setembro, Tangurinho, Suiá Missu, Curizevu, Mirassol, Tuatuari, Batovi, Ronuro,

Steni, Arraia, Manito e rio Preto.



Além do desmatamento nas cabeceiras dos rios, os índios relatam a construção de pequenas

centrais hidrelétricas (PCHs) para gerar energia. “As PCHs represam a água e impedem a livre

passagem dos peixes, interferindo na reprodução e manutenção das espécies”, assinala o

documento.



Os índios observam, ainda, que “os rios já não estão com tanta água como antigamente e já não

estão mais enchendo as lagoas naturais onde muitos peixes se reproduzem anualmente”.

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