Muito oportuna e elucidativa essa publicação do FBSSAN que me foi dada a honra de apresentar. A biofortificação de alimentos tem se destacado entre os temas do crescente debate nacional e internacional no campo da nutrição, aí incluída sua relação com a agricultura. Como é usual em se tratando dos alimentos, este debate é permeado por interesses de várias ordens, sobretudo econômicos, com a apropriação de significados acompanhada do tradicional apelo à gravidade dos problemas (fome ou deficiência de nutrientes) que clama por soluções urgentes e milagrosas. O Fórum cumpre com seu papel ao desvendar os termos do debate e desmistificar propostas ilusórias, para tanto recorrendo à ampla consulta e debates públicos e propondo mobilização social.
São vários os aspectos a serem abordados em relação à biofortificação, coisa que a publicação faz com competência. Nota-se o cuidado de enfrentar as principais dimensões envolvidas, desde a argumentação no campo técnico-científico até as que dizem respeito ao significado do ato de comer e de se alimentar, passando pela relação com a natureza e a biodiversidade e as implicações em termos de políticas públicas. À medicalização da alimentação e ao mito de um “alimento poderoso”, contrapõe a riqueza nutricional de uma alimentação diversificada. À alegada fome de nutrientes, sustenta que as pessoas têm fome é de comida, “comida de verdade” capaz de unir sabor, prazer e nutrição. A uma agricultura dita sensível à nutrição, oferecem os saberes acumulados na agricultura familiar e camponesa.